sábado, 9 de fevereiro de 2008


IANSÃ, A DEUSA DOS VENTOS

Senhora da Tarde, Dona dos Espíritos. Senhora dos Raios e das Tempestades. Oyá, mais conhecida no Brasil como Yansã, foi uma princesa real na cidade de Irá, na Nigéria em 1450a.C.. Sobrinha-neta do rei Elempe e neta de Torossi(mãe de Xangô), conquistou com valentia, coragem e dedicação seu caminho para o trono de Oyó. Conhecedora de todos os meandros da magia encantada, nunca se deixou abater por guerras, problemas e disputas.

Foi mulher de seu primo Xangô e ajudou-o a conquistar vários reinos anexados ao Império Yorubano. Porém, abandonou-o em defesa de sua cidade natal, disposta a enfrentá-lo.

Oyá é a menina dos olhos de Oxalá, seu protetor, e a única divindade que entra no Ibalé dos Eguns(mortos). Na Bahia é sincretizada com Santa Bárbara.

Divindade ctoniana, Iansã tem ligações com o mundo subterrâneo, onde habitam os mortos, sendo o único orixá capaz de enfrentar os eguns. Entre as dezessete individuações da multifária Iansã, uma delas é como Deusa dos Cemitérios.

Além do contato com os mortos, Iansã também favorece a fecundidade, atributo inerente aos deuses ctonianos. Deusa das tempestades, contribui para a fertilidade do solo. Divindade eólica, sopram os ventos que afastam as nuvens, para a passagem dos raios desferidos por Xangô. E é o raio que abre os reservatórios do céu, para fazer cair a chuva, relação comum em todas as mitologias.

Nossa amada mãe Iansã possui vinte e uma Iansãs intermediárias, que são assim distribuídas:

Sete atuam junto aos pólos magnéticos irradiantes e auxiliam os orixás regentes dos pólos positivos, onde entram como aplicadoras da Lei segundo os princípios da Justiça Divina, recorrendo aos aspectos positivos da Orixá planetária Iansã.

Sete atuam junto aos pólos magnéticos absorventes e auxiliam os orixás regentes dos pólos negativos, onde entram como aplicadoras da Lei segundo seus princípios, recorrendo aos aspectos negativos da orixá planetária Iansã.

Sete atuam nas faixas neutras das dimensões planetárias, onde, regidas pelos princípios da Lei, ou direcionam os seres para as faixas vibratórias positivas ou os direcionam para as faixas negativas.

Enfim, são vinte e uma orixás lansãs intermediárias aplicadoras da Lei nas Sete Linhas de Umbanda.

Como seus campos preferenciais de atuação são os religiosos, não é de se estranhar que nossa amada mãe Iansã intermediária para a linha da Fé nos campos do Tempo seja confundida com a própria OYá, já que é ela quem envia ao tempo os eguns fora-da-Lei no campo da religiosidade.



Iansã do Tempo, não tenham dúvidas, tem um vasto campo de ação e colhe os espíritos desvirtuados nas coisas da Fé, enviando-os ao Tempo onde serão esgotados. Mas, não tenham dúvidas, antes ela tenta reequilibrá-los e redirecioná-los, só optando por enviá-los a um campo onde o magnetismo os esvazia quando vê que um esgotamento total em todos os sete sentidos é necessário. E isto o Tempo faz muito bem!

Já Iansã Bale, do Bale, ou das Almas, é outra intermediária de nossa mãe maior lansã que é muito solicitada e muito conhecida, porque atua preferencialmente sobre os espíritos que desvirtuam os princípios da Lei que dão sustentação à vida e, como vida é geração e Omulu atua no pólo negativo da linha da Geração, então ela envia aos domínios de Tatá Omulu todos os espíritos que atentaram contra a vida de seus semelhantes ao desvirtuarem os princípios da Lei e da Justiça Divina.

Logo, seu campo escuro localiza-se nos domínios do orixá Omulu, que rege sobre o lado de "baixo" do campo santo.



Mas também são muito conhecidas as lansãs intermediárias Sete Pedreiras, dos Raios, do Mar, das Cachoeiras e dos Ventos (Iansã pura). As outras assumem os nomes dos elementos que lhes chegam através das irradiações inclinadas dos outros orixás, quando surgem as Iansãs irradiantes e multicoloridas. Temos:

1 Iansã do Ar.
1 Iansã Cristalina.
1 Iansã Mineral.
1 Iansã Vegetal.
1 Iansã Ígnea.
1 Iansã Telúrica.
1 Iansã Aquática.

AS FILHAS DE IANSÃ

Iansã é uma Deusa ligada à manifestação do feminino na fase crescente, trazendo em si a qualidade do movimento. Une passado com o futuro, o lado sombrio da Lua com o lado iluminado, que anuncia um novo começo. Iansã está ligada com o número 9, que é o movimento puro.

As filhas de Iansã são mulheres audaciosas, poderosas, autoritárias e dinâmicas. Estão sempre procurando algo para se ocupar, são cheias de iniciativa e determinação. São mulheres que nunca passam despercebidas, pois são combativas, teimosas e temperamentais, mas também podem ser doces e meigas, quando possuem interesse em seduzir algum homem.

A mulher-Iansã é o tipo de mulher que está mais voltada para o amor sensual do que para o amor maternal. Ama os filhos, mas consegue maior expressão quando se sente admirada e desejada por um homem, o que geralmente provoca o ciúme e a inveja das outras mulheres.

É também uma mulher que está ligada ao passado, ao coletivo, pela origem comum da necessidade fertilizadora do feminino e está ligada ao futuro pela necessidade de diferenciação, que a tirará do coletivo e a jogará sempre para frente, para o novo. É inconformada e inquieta, está voltada para o impulso de empreender coisas, de realizar seu poder criativo. A atualização dessa força criadora dependerá da forma como ela direcionar esta energia, que muitas vezes pode ser desviada para outros fins, ou ser esvaziada.

O perigo é permitir que as barreiras sociais a entravem, desviando a energia criativa para a neurose.E, a neurose é parada de movimento. Todo aquele que se recusa a viver o futuro, apegando-se ao passado, estagna.

A mulher que sente impulso para criar, para dar significado ao seu mundo, precisa ser fiel aos seus conteúdos internos, à Deusa dentro de si. O ato criativo é o processo de se arriscar, de se jogar no desconhecido, de mergulho nas fontes fertilizadoras, da viagem interna em busca da essência das coisas. O desejo de criar move o contato com o informe pela necessidade de dar forma, de arrancar da terra coisas vitais para alimentar a consciência

A LENDA

Ogum foi caçar na floresta, como fazia todos os dias. De repente, um búfalo veio em sua direção rápido como um relâmpago; notando algo de diferente no animal, Ogum tratou de segui-lo. O búfalo parou em cima de um formigueiro, baixou a cabeça e despiu sua pele, transformando-se numa linda mulher. Era Iansã, coberta por belos panos coloridos e braceletes de cobre.
Iansã fez da pele uma trouxa, colocou os chifres dentro e escondeu-a no formigueiro, partindo em direção ao mercado, sem perceber que Ogum tinha visto tudo. Assim que ela se foi, Ogum se apoderou da trouxa, guardando-a em seu celeiro. Depois foi a cidade, e passou a seguir a mulher ate que criou coragem e começou a cortejá-la. Mas como toda mulher bonita, ela recusou a corte.


Quando anoiteceu ela voltou à floresta e, para sua surpresa, não encontrou a trouxa. Tornou à cidade e encontrou Ogum, que lhe disse estar com ele o que procurava. Em troca de seu segredo ( pois ele sabia que ela não era uma mulher e sim animal ), Iansã foi obrigada a se casar com ele; apesar disso, conseguiu estabelecer certas regras de conduta, dentre as quais proibi-lo de comentar o assunto com qualquer pessoa.
Chegando em casa, Ogum explicou suas outras esposas que Iansã iria morar com ele e que em hipótese alguma deveriam insultá-la. Tudo corria bem; enquanto Ogum saía para trabalhar, Iansã passava o dia procurando sua trouxa.


Desse casamento nasceram nove crianças, o que despertou ciúmes das outras esposas, que eram estéreis. Uma delas, para vingar-se, conseguiu embriagar Ogum e ele acabou relatando o mistério que envolvia Iansã. Depois que Ogum dormiu as mulheres foram insulta-las, dizendo que ela era um animal e revelando que sua trouxa estava escondida no celeiro.

Iansã encontrou então sua pele e seus chifres. Assumiu a forma de búfalo e partiu para cima de todos, poupando apenas seus filhos. Decidiu voltar para a floresta, mas não permitiu que os filhos a acompanhassem, porque era um lugar perigoso. Deixou com eles seus chifres e orientou-os para, em caso de perigo bater as duas pontas; com esse sinal ela iria socorrê-los imediatamente. E por esse motivo que os chifres estão presentes nos assentamentos de Iansã.

Suas cores: vermelho, branco e coral

Saudação : Eparrei!

Seu dia : Quarta-feira

Comida predileta: acarajé, milho temperado com camarão e azeite de dendê.

Animais de sacrifício: o carneiro, o pato e a galinha.

Frutas: manga rosa, uvas, pêra, maçã morango, melão laranja, banana, figo, ameixas, romã, grosselha, pêssego, pitanga, framboesa e cajá.

Onde recebe oferendas: nas cachoeiras.

Plantas: sensitiva, espada de Iansã (borda amarela), bambu, periquitinho.

Bebida: champanha.

Elemento: fogo,

O que faz: dá coragem e impulsividade; protege contra desastres e acidentes.

Festa: 4 de dezembro, dia de Santa Bárbara, com quem está identificada.

Pedras: rubi, coral, granada.

Perfumes: verbena, drástico vermelho, violeta, madeira, Shoking de Skiaparelli.

CANTO

Oi, Iansã, menina dos cabelos loiros
Onde é a sua morada?
É na mina de ouro

Minha Santa Bárbara
Virgem da Coroa
Pelo amor de Deus, Santa Bárbara,
Não me deixe à toa
Minha Santa Bárbara
Virgem da Coroa
A Coroa é dela Xangô
É da pedra de ouro

Iansã tem um leque de penas
Pra abanar em dia de calor
Iansã tem um leque de penas
Pra abanar em dia de calor
Iansã mora nas pedreiras
Eu quero ver meu pai Xangô
Iansã mora nas pedreiras
Eu quero ver meu pai Xangô

Santa guerreira que ao meu lado caminha
Com sua espada de ouro e sua taça na mão
És para mim toda beleza, venero sua beleza
Guardo-a em meu coração, quando ela roda
Sua saia irradia, Deusa da Ventania
É a Rainha Trovão com meu Pai Xangô
Iansã fez a morada, ela roda ua saia
No romper da madrugada
Eparrei Ioiá
Saravá Iansã, ela é Rainha, é Orixá


:: DEUSAS DA CRIAÇÃO, FERTILIDADE E DO NASCIMENTO ::

Quando se fala de bem-estar e de fertilidade no Egito, fala-se também da reprodução, da procriação, dos homens e dos deuses. O nascimento é, aliás, um momento decisivo da existência humana. Várias são as divindades que presidiam à concepção, à gravidez, ao parto e à amamentação dos seres humanos, em particular se se tratava da criança real.

A seguir, apresento um conjunto de Deusas egípcias cuja função está diretamente relacionada com a fertilidade, a criação ou o nascimento, bem como os momentos de êxtase e de fertlidade da vida terrena, uma fase de passagem inevitável e marcante até à entrada do homem no eterno mundo do Além.

SHESMETET

Conhecida pelo exótico epíteto de "Senhora do Punt", numa clara alusão à região do incenso e das matérias preciosas do corno de África, Chesmetet, como Deusa leonina, é provavelmente uma manifestação da Deusa Sekhemet.

Segundo referência dos "Textos das Pirâmides", é ela que dá nascimento ao faraó reinante, assumindo assim, os caracteres de deidade relacionada com o nascimento. Em textos funerários é considerada a mãe do defunto, seja ele faraó ou um "osíris" justificado. Uma fórmula em seu nome, que devia ser recitada no último dia de cada ano, atestava também o seu poder como força mágica contra os seres sobrenaturais que provocam mortandades.

Os faraós Ptolomeu VIII Evergata II (170-163, 145-116 a.C.) e Ptolomeu IX Soter II (116-110, 109-107, 88-80 a.C.), construíram-lhe um santuário, um "Templo do Deserto" cavado na rocha, na entrada do Uadi Hellal, em El-Kab, ao norte de Edfu.

SATET

Denominada Satet ou Satjet, essa Deusa de Elefantina, Abu, "A Cidade do Elefante", a hedjet, flanqueada por dois grandes chifres liriformes (de vaca ou gazela), era esposa de Khnum e mãe de Anuket na tríade de Elefantina.

Como esposa de Khnum, Satet usurpou o lugar a Heket, a Deusa batracocéfala. No entanto, a sua incorporação na tríade elefantina e a sua relação com Khnum não é absolutamente clara. Daí que, muitas vezes, seja referida como filha de Khnum e de Anuket.

Por vezes, Satet é representada segurando um arco com flechas, o que lhe confere o título de "Aquela do arco" ou "Aquela que corre como uma flecha". Taís títulos e representações colocam-na em relação com os arqueiros núbios e parece fazer dela um Deusa originária dos países meridionais, da Núbia. Entretanto, esses epítetos podem também fazer alusão à fluidez da corrente do Nilo, que correria com a força e rapidez de uma flecha.

Os dois cornos de gazela de ladeiam a sua coroa distintiva, pode referirem-se a sua eventual origem sudanesa, região onde as gazelas abundam.

Por tudo isso, chega-se a conclusão que Satet era, uma Deusa local da caça, "Princesa do Alto Egito", que se tornou Deusa da Inundação. Aliás, o seu nome pode derivar de Seti, "tiro" (flecha de arco), como de seti, "puro" (água). Há uma representação que mostra a Deusa despejando/distribuindo as águas do Nilo sobre a terra, preparando os terrenos para a imprescindível prática da agricultura. Era ela "Aquela que dá a água fresca que vem de Elefantina".

A egipcianização da Deusa derivou da sua identificação com o Olho de Rá (Ré), a Deusa que se retirava furiosa para os territórios meridionais, onde os deuses egípcios da corte de Rá, enviados pelo seu soberano, a foram procurar. Em conseqüência, era chamada de "Filha de Rá".

Como Deusa das inundações benfazejas e da fertilidade, era também ela que, no Mundo Inferior, purificava com a sua água o faraó quando esse chegava ao Mundo dos Mortos.

Como arqueira, foi naturalmente associada com Neith, a Deusa de Sais que também tinha como insígnias as flechas e o arco, sendo a sua réplica do Sul. Talvez devido à sua similaridade fonética dos nomes Sate/Satis fundiu-se também com Sopdit (em grego Sotis), a "estrela-cão", Sirius, arauto do início das cheias nilóticas.

"Auqla da Ilha de Shel", Deusa da I catarata, era uma das divindades mais importantes do 1º sepat do Alto Egito.

No Império Novo, "A Senhora de Elefantina" chegou a ser chamada "Rainha dos Deuses". Maetkaré Hatchepsut (1496-1483 a.C.) ergue-lhe uma capela e dois obeliscos (consagrados às três figuras da tríade: Khnum, Anuket e Satet) e Menkheperré Tutmés III (1504-1450 a.C.) construi-lhe também uma capela, em Elefantina.

HEKET

The frog-headed Egyptian Goddess, Heket (Heqet), associated with child birth and fertility.

Heket era uma Deusa da Água, diretamente associada à criação e ao nascimento. Os seus lugares de culto mais importantes situavam-se no Egito Médio, nomeadamente em Antinoé.

Nessa cidade, essa Deusa batracomorfa, representada, normalmente, ora como uma mulher como cabeça de rã, ora como rã, surgia, enquanto divindade criadora primordial, associada ao deus Khnum, sendo considerada sua esposa. Era ela que conferia o sopro da vida aos homens e às mulheres que Khnum modelava na sua roda de oleiro.

Heket tinha principalmente uma função benéfica junto das mulheres, no momento crucial do parto. A sua figura era representada em vários amuletos e escaravelhos, usados por motivos mágicos pelas mulheres grávidas e pelas parturientes para as protegerem durante o parto. Deusa do parto e do nascimento real, Heket era considerada a padroeira das parteiras que, compreensivelmente, eram apelidadas de "Servas de Heket". A tradição lendária propagava que, juntamente com Meskhenet, a Deusa Heket era uma das parteiras que, todas as manhãs, assistia ao nascer do Sol.

Todavia, Heket tanto presidia ao nascimento dos faraós e das rainhas como ajudava Osíris a ressuscitar de entre os mortos. A sua forma de rã era, aliás, extremamente elucidativa nesse particular, pois esse batráquio era um símbolo de ressurreição. A rã, pela sua capacidade reprodutora e pelo mistério ligado ao seu nascimento, era, efetivamente, associada às forças que davam vida ao morto.

Em Hermópolis, Heket estava ligada às quatro divindades-rãs que viviam no Nun antes da "Primeira Vez", antes da criação do Cosmos. Em Abidos, defendia-se que, simultaneamente com Shu, de quem fora esposa, nascera do deus-sol Rá. Em Kus, no Alto Egito, era encarada como esposa de Hor Uer, possuindo um templo próprio.

Ocasionalmente, Heket era vista como uma forma de Hathor e, em conseqüência, chamada mãe de Hórus, o Antigo (Hor Uer). Era também assimilada a Nekhebet, a Deusa-abutre do Alto Egito.

TAUERET ou TUÉRIS

Juntamente com Bes (considerado seu marido), Taueret, a Deusa-hipopótamo, apesar de seu aspecto repulsivo e até ameaçador, era uma divindade inofensiva, benevolente, desfrutando de enorme aceitação no lar egípcio, onde as suas imagens eram freqüentes.

Tal como Bes, também Taueret era figurada em inúmeros amuletos, usados sobretudo pelas mulheres grávidas ou pelas mulheres em trabalho de parto, a quem assegurava uma eficaz proteção contra os maus espíritos. Como Deusa protetora das grávidas, a sua figura surge em camas e em vasos para guardar leite, na medida em que a sua atuação favorecia a abundância de leite materno. Seus amuletos eram, muitas vezes, colocados nos túmulos para proteger a ressurreição, o renascimento, dos defuntos no Reino dos Mortos.

Embora considerada uma divindade secundária na religião oficial, Taueret triunfou uma divindade de primeiro plano em termos de religião e de devoção popular.

Embora considerada uma divindade secundária na religião oficial, Taueret triunfou como divindade de primeiro plano em termos de religião e de devoção popular. Na verdade, granjeou grande popularidade entre o povo e a classe média dos tempos faraônicos, como divindade doméstica, presidindo à maternidade, ao nascimento e ao período inicial do aleitamento. Não raro, o seu nome era atribuído a muitas crianças, expressando a devoção pessoal dos pais.

Representada de pé, sobre as patas traseiras, apoiando-se no signo hieróglifo "sa" (sinal de proteção ou de proteção mágica), essa Deusa era uma divindade compósita: tinha cabeça em parte de crocodilo e em parte de hipopótamo, cauda de crocodilo, corpo de hipopótamo com largos flancos e ventre proeminente, seios de mulher, pendentes, patas de leão e mãos humanas, com as quais segura o signo "ankh", símbolo da "vida".

A sua íntima ligação com o parto, como protetora das mães e de crianças, parece ter sido sugerida pela aparência de gravidez que a sua figura de fêmea hipopótamo de enorme barriga, qual Deusa da fecundidade, apresenta. Aliás, o seu nome "A Grávida", "A Pesada" ou "A Grande", baseia-se na mesma concepção. Ao reunir características físicas de vários animais, a Deusa Taueret congregava os elementos mais aptos para assegurar uma eficaz defesa e proteção das mulheres grávidas.

Em um aspecto mais vingativo, a Deusa surge com o corpo de hipopótamo e com cabeça de leoa, brandindo ameaçadoramente um punhal e, segundo Plutarco, como hipopótamo fêmea, era esposa e concubina de Seth, o hipopótamo macho. Tal relação parece pressupor uma reputação meléfica, tanto mais que os hipopótamos eram uma força destruidora para os barcos do Nilo. No entanto, a mitologia retira-lhe os caracteres negativos quando toma o partido de Hórus na disputa pelo trono do Egito.

Além da sua representação como hipopótamo fêmea, Taueret podia ainda figurar como mulher, usando na cabeça o disco solar e uns chifres de vaca em tudo semelhantes aos usados por Hathor.

Aproximada de Apet, Deusa-hipopótomo da região tebana, A Deusa Taueret era venerada em Templos de Tebas e de Deir el-Bahari. Durante o Império Novo era adorada, sobretudo em Tebas, como protetora da vida doméstica. Na XVIII dinastia, era representada muitas vezes com Bes a dançar à volta da mulher grávida na câmara do nascimento. Segundo o relato mítico, Taueret foi uma das assistentes no importante nascimento de Hatchepsut.

Juntamente com Bes, Tauret era também uma deidade tutelar do sono, encarregada de afastar maus espíritos e influências perniciosas. Por vezes, usava o disco solar e os chifres de vaca, qual Deusa-Mãe, para lembrar que assistia o nascimento diário do Sol. Também era chamada de "Olho de Rá", sendo considerada sua filha e mãe de Osíris e de Ísis.

Com o título de "Senhora do horizonte", Taueret tornou-se uma Deusa-cósmica, estando relacionada com a constelação faraônica do hipopótamo, colocada pelos astrônomos egípcios no hemisfério norte do céu. Uma pintura do pael astronômico da Deusa surge no teto de uma câmara do túmulo de Menmaetré Seti I (1291-1278 a.C.), no Vale dos Reis, datado da XIX dinastia.

No dia 11 de setembro, ocorre a celebração dessa Deusa.

APET ou OPET

Deusa hipopótamo benigna da região tebana (Ipet ou Opet) mencionada pela primeira vez nos "Textos das Pirâmides" quando o monarca a chama de mãe e a requer para nela mamar o leite divino. Pode, por isso, afirmar-se que, desde muito cedo, que essa Deusa hipopótamo estave associada à fecundidade e à amamentação.

Na teologia de Tebas, essa Deusa é assimilada quer a Taueret, cuja aparência é, aliás, muito semelhante, quer a Nut. Como divindade grávida, como sugere a sua representação de hipopótamo fêmea de ventre saliente, teria dado à luz o deus Osíris. Tal elaboração levou à sua assimilação com a mãe de Osíris, segundo a concepção heliopolitana Nut, na forma Apet-Nut.

Em Tebas, em Karnak, o templo da Deusa-hipopótamo Apet situa-se próximo do templo de Khonsu e foi construído em grande parte por ação do faraó-basileu Ptolomeu VIII Evergeta II (170-163, 145-116 a. C.). Vários soberanos posteriores completariam a decoração do santuário.

Descrita como "Senhora da Proteção Mágica", Apet, a exemplo de Taueret, usufruiu de grande força amulética. Foram os gregos que lhe chamaram Ipet.

MESKHENET

Mulher usando na cabeça duas altas plumas enroladas nas extremidades, interpretadas como pequenas folhas de palmeira ou plantas aquáticas, ou, então, representação dos dois tijolos do nascimento, do parto, sobre os quais a parturiente egípcias se acocorava ou ajoelhava para dar á luz ou que se colocavam sob a sua cabeça, Meskhenet presidia ao parto: Era uma Deusa do nascimento.

Meskhenet era a protetora dos recém-nascidos e a Deusa do Destino. Aparecendo à mãe no preciso momento em que a criança nascia, a quem imediatamente predizia o futuro, era naturalmente associado a Chai, o deus do Destino. Com efeito, dizia-se que Meskhenet era casada com Chai.

Essa Deusa do parto e do nascimento, por vezes, considerada como quatro divindades, Deusas da câmara do nascimento. Essas quatro Meskhenet eram representadas como dançarinas que festejavam com música o feliz acontecimento que era um nascimento.

Quando assistiu ao nascimento de Hatchepsut, Meskhenet prognosticou-lhe um brilhante e longo futuro dizendo:

"A criança é estabelecida na qualidade de rei do Alto e Baixo Egito. Assegurarei continuamente a tua proteção mágica, sob o comando de Rá (Ré). Dou-te vida e a força superior a todos os outros seres; confiro-te a vida, a prosperidade e a saúde, a eficácia, a ilustração e a alegria, os alimentos e todas as coisas belas e boas. Possas tu aparecer radiosa na qualidade de rei do Alto e do Baixo Egito, aquando de muitos jubileus, tu, vivente, durável, forte, o prazer do coração fica com o teu "ka", nesse Duplo País que é teu, no trono de Hórus, por tempo infinito".

Como outras divindades do nascimento, Meskhenet estava também relacionada com a ressurreição e com o julgamento dos mortos. Com efeito, ela estava presente na Sala das Duas Maet, onde o coração do morto era apuradamente examinado. Acompanhava o defunto e explicava aos deuses a existência terrena que levava, na esperança de o auxiliar a obter um veredicto satisfatório. Era como se assistisse a um renascimento. Nos ritos funerários, prestava assistência a Ísis e a Néftis.

RENENUTET

Também conhecida pelo nome de Renenet, a quem os gregos chamaram Termutis ou Ermutis, Renenutet era a Deusa-cobra da colheita, serpente benéfica venerada pelos camponeses, sobretudo, no Faium. Como "Senhora do Grão" e "Dama das colheitas", era a entidade divina agrícola que zelava pelo bom crescimento dos grãos dos cereais e das plantas, afastando as más influências. As primeiras gotas de água, de cerveja e de vinho, bem como o primeiro pão, eram-lhes dedicados.

Representada sob forma humana, como mulher, ou antropomorfa, com cabeça de uma serpente uraeus, sobre a qual possuía duas longas plumas, essa divindade agrícola podia ainda ser figurada simplesmente sob os traços de uma serpente sagrada, animal ctônico por excelência.

As suas representações antropomorfas ou herpetomorfas mostram-na aleitando Nepri, a personificação do trigo, deus do grão, considerado seu filho, ou o próprio faraó. Outras vezes, amamenta a alma dos mortos, assumindo o caráter de divindade necrópole tebana. De imediato, a mentalidade egípcia estabeleceu o óbvio paralelo entre Renenutet/Nepri e Ísis/Hórus criança. Tal paralelismo suscitou a sua assimilação a Ísis, na Época Baixa, e a adoração de uma nova divindade: Isermutis.

Essas representações fazem de Renenutet a divindade tutelar da amamentação das crianças e, por vezes, da criança real, justificando outro dos epítetos por que era comumente invocada: "A Alimentadora" ou "A serpente que alimenta". Como enorme serpente uraeus, usava o disco solar e os chifres de vaca, iguais aos de Hathor, na cabeça.

Deusa-ama que presidia à amamentação das crianças, rapidamente Renenutet suscitou a sua união com Chai e com Meskhenet. Tornou-se estreitamente associada à idéia de destino de boa sorte e de prosperidade e, como Deusa do destino, assistia e protegia todas as crianças durante os trabalhos de parto. Além do alimento, da Sorte, Renenutet conferia aos recém-nascidos a própria personalidade, os traços distintivos de cada ser.

AS SETE HATHORES

Como Deusa-Mãe que vivia na Árvore do Céu e alimentava a alma dos homens e dos mortos, Hathor adaptou 7 formas. As sete Hathores presidiam ao nascimento das crianças egípcias e realizam as suas funções a favor dos mortos e dos recém-nascidos ou recém-criados.

As sete Hathores eram uma espécie de fadas-madrinhas que, no momento do nascimento ou da criação de um ser, o visitavam para determinarem o seu destino. Como divindades do destino, as suas predições do futuro podiam ser favoráveis (nesse caso, identificavam-se com a Deusa Renenutet que presidia os destinos positivos) ou não (nesses casos, identificavam-se com Chai, o portador das desgraças), mas ninguém escapava ao destino por elas traçado.

Usualmente sete, podiam também ser nove. Eram normalmente representadas como um grupo de jovens mulheres tocando tamboris e usando o disco solar e chifres de Hathor. Por vezes, captando a forma da sua divindade-base, podiam ser representadas ainda como sete vacas, cada uma com o seu próprio nome:

1. Senhora do Universo;

2. Tempestade Celeste;

3. A Terra do Silêncio;

4. A de Khemmis;

5. Cabelo Vermelho;

6. Vermelho Resplandecente;

7. O Teu Nome Floresce no Céu.

Em papiros mitológicos surgem outros nomes alternativos:

1. Senhora da Casa de Jubilação;

2. e 3. Senhoras do Oeste;

4. e 5. Senhoras do Este;

6. e 7. Senhoras da Terra Sagrada.

O capítulo CXLVIII do "Livro dos Mortos", além de referir o nome das sete Hathores, é geralmente acompanhado de uma vinheta que apresenta sete vacas celestes, o seu touro, quatro lemes e quatro figuras mumificadas. As setes vacas são, as sete Hathores e o touro é, compreensívelmente, uma forma do deus sol, Rá (Ré). Os quatro lemes simbolizam os quatro pontos cardeais, ao passo que as quatro figuras mumificadas representam os Espíritos do Além que alimentam os defuntos.

Na Época Ptolomaica, as sete Hathores eram identificadas como as sete Plêiades, desde cedo consideradas filhas de Atlas.

MERIT

Deusa da música, o seu nome significa "A Amada". No âmbito da típica dualidade egípcia. Merit era vista como Merit do Baixo Egito e como Merit do Alto Egito. Ambas surgem no "naos" das barcas de Amon e na proa das barcas de outras divindades.

A Merit do Norte usa na cabeça uma cora feita de papiros (a planta simbólica do Baixo Egito, cujo hieróglifo surge na sua onomástica), ao passo que a do Sul tem um bouquet de lótus (a planta emblemática do Alto Egito, também presente na sua designação hieroglífica).

DIVINDADES PROTETORAS DA MONARQUIA E DO EGITO

DIVINDADES PROTETORAS DA MONARQUIA E DO EGITO


BAT

Embora seja raramente representada na arte no antigo Egito, essa Deusa com cabeça de vaca, adorada sobretudo no Alto Egito, é muito freqüente como amuleto.

Figurada, primitivamente, com cabeça humana, orelhas de vaca e com dois cornos, cuja extremidade se curva para o interior, é possível que estivesse diretamente relacionada com a unidade do Egito, tanto do Norte como do Sul, como do vale com o deserto, das zonas férteis com as áreas estéreis.

Adorada em Batyu, perto da cidade de Hu (a antiga Dióspolis Parva) Bat era a divindadae tutelar do "sétimo sepat" ou distrito do Alto Egito, intitulado "Sistro", cuja insígnia distintiva era uma representação da Deusa. Há mesmo hipóteses que, reforçando os seus atributos de divindade unificadora, defendem que a Deusa-vaca representada nso cantos superiores da Paleta de Narmer é Bat e não Hathor. Foi a poderosa identidade pessoal de Hathor veio, portanto, a absorver a personalidade de Bat, assimilação que, em termos de História das Religiões, é um fato sobejamente documentado e, em termos de História da Religião Egípcia extremamente freqüente.

Já não tão freqüente é a "coisificação" de uma das divindades. No caso de Bat, no Império Novo, acaba por se transformar no sistro hathórico "sechechet". Aliás, o corpo de Bat em forma de colar de contrapeso, sugere, justamente a iconografia desse sistro sagrado da Deusa Hator. Essa ligação é tanto mais adequada quanto o "sétimo sepat" do Alto Egito, o seu centro do culto é designado por "A morada do sistro" ou simplesmente "Sistro".

Os "Textos das Pirâmides" confirmam, simultaneamente, a identificação de Bat com o sistro hathórico "sechechet" e a sua realçao com o monarca egípcio: o faraó é Bat, "com as suas duas faces", ou seja, a parte superior e anterior do sistro. Num peitoral da XII dinastia, é figrada juntamente com dois elementos que personificam a luta-reconciliação dos dois contendores míticos pelo trono do Egito, Hórus e Seth.

SEFKHET-ABUY

Surgindo pela primeira vez no reinado de Menkheperré Tutmés III (1504-1450 a.C./XVIII dinastia), pelos seus principais atributos e pela sua representação, essa Deusa emerge como uma simples duplicação de Seshat (Sechat), a Deusa da Escrita, principal esposa de Thot em Hermópolis.

O seu nome significa "Sete chifres" e, tal como Seshat, é a Deusa da Escrita representada com uma estrela de sete pontas e um arco recortado.

Quando o faraó efetua as medições para os recintos sagrados dos templos, nas cerimônias rituais de fundação de lugares sagrados, é Sefkhet-Abuy que preside, "esticando a corda" ao monarca, ajudando-o na determinação exata dos novos santuários. A sua ação junto do monarca ou em seu favor não se esgota aqui: junto com Seshat, competia-lhe registrar a duração da vida do faraó e o seu nome nas folhas da árvore sagrada, concedendo-lhe, assim, a imortalidade.

USERT

Deusa de Tebas, cujo nome significa "A Poderosa", parece ter sido uma antiga esposa do deus Amon em Karnak, procedendo assim a Deusa Mut. A sua ligação com o faraó é particularmente constatada no Império Médio e bem ilustrada nos nomes teóforos dos faraós da XII dinastia, os três Sesóstris, em egípcio "Senusert": S-n-Wsrt, "O homem pertence à grande Deusa" ou "O homem pertence à Usert".

Apresenta-se com arco, flechas e o cetro uas. Não obstante ser originária de Tebas e aí ter o seu centro de culto, foi a divindade padroeira das expedições egípcias ao Sinai.

Alguns soberanos da dinastia XII incluíram o nome dessa Deusa em seu próprio nome como elemento protetor.

MEHET-UERET

Chamada Methyer em grego, o seu nome significa "A Grande Inundação". É uma Deusa do fluxo primordial: é a manifestação das águas primevas (Nun). Na época das Pirâmides, era o canal navegável dos céus, utilizado pelo deus-sol e pelo faraó. Tal característica levou-a a ser considerada "Mãe de Rá", sendo, por extensão, identificada a Neith.

É uma Deusa Vaca, representada tanto sob a forma compósita com cabeça de vaca, o que, desde logo, suscitou a sua estreita ligação com Hathor. Um papiro do Império Novo representa-a como uma vaca deitada sobre uma esteira de palha com disco solar entre os seus chifres.

No Período Ptolomaico, várias lendas referem-na como mãe do deus-crocodilo Sobek, o demiurgo, o que significa uma promoção extremamente importante no âmbito das concepções egípcias.

HESAT

Originária de Atfih (Tep-Ihu, 22º sepat do Alto Egito), diante de Meidum, na margem direita do Nilo, Hesat era a vaca celeste que se apontava como a mãe de Anubis. No âmbito das suas funções, juntamente com a Deusa Sekhat-Hor, estava encarregada do aleitamento real.

No "mammisi" de Filae, Osíris recebia uma libação de leite proveniente, precisamente, das tetas das duas Deusas-vacas, Hesat e Sekhat-Hor. Essa libação tinha lugar, tal como na ilha de Biga, de 10 em 10 dias.

Em Heliópolis, Hesat era considerada a mãe do boi Meruer, a encarnação terrestre de Rá.

É uma Deusa maternal que figura nos "Textos das Pirâmides" e seu leite era chamado de "cerveja de Hesat".

SEKHAT-HOR

Deusa de Imau, capital da província do Ocidente (cidade de Tanta, no Delta), Sekhat-Hor era representada com corpo de mulher e cabeça da vaca ou, simplesmente, como vaca. Freqüentemente assimilada a Hathor, essa emprestava-lhe algumas das suas características. Estava relacionada com a amamentação do faraó.

Em Filae e em Biga, de 10 em 10 dias, Osíris recebia no "mammisi" uma libação de leite proveniente das tetas de Sekhat-Hor e Hesat.

UERET-HEKAU

A Deusa Ueret-hekau, cujo nome significa "Grande em Magia" ou "Grande Mágica", era a divinização da coroa real, sendo, por isso, considerada esposa do deus-sol Rá.

Como era representada como uma mulher com cabeça de leoa ou como uma serpente com cabeça de leoa, é, por vezes, confundida com Sekhemet.

Por ser um poderoso símbolo de proteção, seu nome junto com o símbolo de uma serpente aparece freqüentemente nas armas mágicas enterradas com os mortos para ajudá-los e protegê-los no submundo.

MAFDET

Chamada "A Corredora", Madef era uma Deusa violenta que, sob a forma de uma pantera, era uma das potências protetoras da corte do faraó.

Primitivamente, estava associada à repressão dos criminosos. A sua ferocidade era letal para as serpentes e para os escorpiões, pelos arranhões das suas garras, demembrando-os e aniquilindo-os. Tinha também poderes terapêuticos que justificam o epíteto de "Senhora da morada da vida" (espécie de sanatorium ou hospital). Era invocada para evitar mordeduras e picadas de serpentes e escorpiões.

Participou com os deuses da derrota de Apófis (serpente maligna), aparecendo na Barca Solar. Era a manifestação da autoridade judicial e, sobretudo, do instrumento usado para a execução, que consiste em uma vara encurvada em sua parte superior, com uma corda enroscada e uma machadinha que se sobressai em ângulo reto; a Deusa, em forma felina, se apresenta subindo pela vara.

Quando o faraó, no Mundo do Além, enfrentava os vários adversários com que se deparava, recorria a Mafdet, à violência dos seus ataques, para os decapitar e vencer. Nesse sentido, a Deusa-pantera era um precioso auxiliar dos monarcas egípcios e muitas vezes aparece nas proas das barcas.

Venerada desde o Período Tinita e está presente nos Textos das Pirâmides.

PAKHET

Deusa-leoa, adorada particularmente à entrada de um Uadi, no deserto oriental, perto de Beni Hassan, no Médio Egito. O seu nome evoca manifestamente a sua natureza leonina, significando "Aquela que arrebata" ou "A Dilaceradora". Os Textos dos Sarcófagos descrevem-na como feroz caçadora noturna, de garras afiadas. Pakhet desempenhou um importante papel na corte faraônica e nas crenças relativas à vida depois da morte.

Foi assimilada pelos gregos à sua Deusa da caça, Ártemis, pelo que o pequeno templo rupestre que lhe foi consagrado, na XVIII dinastia, por Hatchepstu (1498-1483 a.C.) e por Tutmés III (1504-1450 a.C.), junto de Beni Hassan, foi chamado "Speos Artemidos (caverna ou capela rochosa de Ártemis).

:: OUTRAS DEUSAS DOS PRIMEIROS TEMPOS ::


:: OUTRAS DEUSAS DOS PRIMEIROS TEMPOS ::

IUSAAS


Deusa de Heliópolis, cujo nome significava "A que se torna grande", era concebida como complemento feminino do demiurgo heliopolitano Atum, criador dos deuses e dos homens, fundador da Ordem do Cosmos. Juntamente com Nebethetepet, a outra esposa de Atum, segundo especulação teológica, desempenhou papel crucial como princípio feminino na criação e estabelecimento do Mundo.


Iconograficamente é representada como um escaravelho na cabeça. Como mão que agarrou o pênis do demiurgo Atum no momento da criação pela polução é também chamada "A mão de deus", djeret netjer.


NEBETHETEPET


Sob a designação de "Senhora da Oferenda" (significado de seu nome), essa Deusa de Heliópolis recobre uma elevada noção intelectual. Com efeito, deixa de ser perspectivada como uma simples manifestação da Deusa Hator em Heliópolis para alcançar uma posição mais significativa, a saber, é a mão do deus-criador Atum que agarrou o seu pênis para, pela masturbação, trazer o Cosmo à existência. De acordo com esta intervenção erótico-sexual, o seu nome tem sido visto como significando "A Senhora da vulva".


Como Iusaas, a outra esposa do demiurgo de Heliópolis, é encarada como o complemento feminino do criativo princípio masculino representado pelo deus-sol Atum.


RET


Considerada esposa de Rá, deus-solar de Heliópolis, Ret era o seu duplo feminino. Foi também chamada Rettaui, ou seja, "Ret das Duas Terras" ou "O Sol feminino das Duas Terras", deixando antever a sua soberania sobre todo o Egito, tal como seu marido.


Como divindade, foi criada pelos sacerdotes do Império Novo e era representada dentro dos cânones de divindade solar: mulher com cornos de vaca, entre os quais ostentava o disco solar.


Foi-lhe prestado culto em Nag' el-Medamud, onde era associada a Montu, com sua esposa, tendo como filho Horpakhered.


TEFNUT


Deusa local de Per-Medjed, no Médio Egito (a Oxirincos do Período Greco-Romano, a moderna El-Bahnasa), capital do 19 sepat do Alto Egito, no período dinástico, geralmente representada como mulher com cabeça de leoa, sobre a qual possui o disco solar envolvido pela serpente "uraeus", ou simplesmente como leoa, o seu animal sagrado. Ocasionalmente, aparece também representada como o próprio "uraeus", particularmente quando era considerada a protetora de Rá e do faraó.


Era também protetora de Osíris e dos mortos justificados, com ele identificados. Por vezes, é iconograficamente descrita como uma serpente enrolada a um cetro. Os gregos identificaram-na a Ártemis.


Personificando a umidade e o orvalho, surge na Grande Enéade de Heliópolis, onde é considerada irmã-esposa do deus do ar, Chu (ou Shu). Em Leontóplis, o par era adorado como um casal de leões. Parece, porém, que foram anteriormente mulher de um determinado deus denominado Tefen, de quem só se conhece o nome. Seja como for, foi mais um conceito teológico-intelectual do que uma pessoa real.


Encarnando o elemento líquido presente na atmosfera, a névoa, a chuva, o "ar inferior", gerador de vida, é descrita nos textos como uma pálida reprodução de Chu, a quem ajudava a sustentar o céu e com o qual recebia o Sol, todas as manhãs, quando ele surgia no horizonte oriental. Daqui as características solares que lhe estão associadas. As suas lágrimas, caídas no chão, quando ajudava o marido a segurar o céu, transformaram-se em plantas que produziam incenso. Os "Textos das Pirâmides" aludem também à água pura que saía da sua vagina para os pés do faraó, eventualmente referindo-se ao orvalho matinal.


Sobre o processo concreto da criação desta "Primeira Mulher" (por oposição a Chu, o "Primeiro Homem"), há alusões a três mitos: por um lado, refere-se a sua criação a partir da polução do deus Atum; por outro lado, numa estreita ligação com seus atributos, salienta-se a sua criação pela saliva que saiu da boca do demiurgo Atum; por fim, como par feminino do primeiro casal divino, teria saído das lágrimas do deus-sol Rá. O seu nome surge nas paredes dos templos ptolomaicos figurado com um par de lábios cuspindo, o que invoca, inquestionavelmente, o processo de criação pela saliva de Atum. A este propósito, há mesmo quem aponte o seu nome como uma onomatopéia que imita, precisamente, o ato de cuspir ou de escarrar.


Segundo um relato mitológico, as suas relações com o pai Rá nem sempre foram fáceis, tendo, inclusive, abandonado Heliópolis para se refugiar na Núbia. Só com inúmeras lisonjas, Thot, o medianeiro da reconciliação, conseguiu trazê-la de volta. Em outras ocasiões, é o "Olho de Rá", assumindo como Deusa com cabeça de leoa o papel de feroz protetora do chefe da família heliopolitana.


Incorporada na cosmogonia menfita, identificava-se com a língua de Ptah e era um símbolo da própria Criação. Associada a Maat, Deusa tutelar da Ordem do Mundo, adquire um significado espiritual, metafísico, ainda mais positivo.


MEHYT


Deusa leoa de Tis, era considerada a Deusa-consorte de Anhur. Tal como o marido era freqüentemente identificado com Chu, Mehyt era também considerada uma variante de Tefnut, a esposa de Chu.


Algumas representações mostram-na com corpo de mulher e cabeça de leoa, usando o disco solar protegido pela cobra-uraeus.


No âmbito do relato mitológico que apresenta Anhur como o deus que captura a Deusa-leoa que se afastara para a Núbia, Mehyt representa essa divindade capturada. O seu nome significa "Aquela que foi completada".


NEHEMETAUAY

Protetora dos espoliados (o seu nome significa precisamente "Aquela que defende o espoliado" ou "Aquela que erradica o mal), Nehemetauay era também considerada a Senhora da Embriaguês.


Usava como coroa o pilone do sistro arquitetural (sechechet). Em Hermópolis era associada a Djehuti/Thot, como esposa, sendo respeitada como mãe de Hornefer.